PANORAMA
O ano de 2025 se apresenta como um marco decisivo na trajetória socioambiental do planeta. A comunidade internacional volta seus olhos para a COP30, realizada em solo brasileiro, em um momento de cobrança por respostas concretas e mensuráveis aos compromissos climáticos assumidos. Neste cenário de urgência amplificada, a gestão de resíduos sólidos deixa de ser uma questão periférica para se consolidar como um pilar central e inadiável na construção de economias de baixo carbono.
O Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil 2025 chega, portanto, em um momento ímpar. Mais do que um diagnóstico setorial, esta publicação se propõe a ser um instrumento estratégico para orientar políticas públicas, investimentos privados e o engajamento da sociedade civil. Os dados compilados e analisados nesta edição revelam um país em transição, mas cuja velocidade de mudança ainda não é compatível com a magnitude dos desafios. Os avanços na logística reversa, a expansão gradual da coleta seletiva com inclusão socioprodutiva de catadores e os investimentos em tecnologia para destinação final ambientalmente adequada mostram caminhos a serem potencializados.
No campo da reciclagem, novos conceitos e medições estão sendo melhorados ano a ano, considerando que há uma intensa invisibilidade das iniciativas brasileiras neste campo. Se no ano passado inserimos o trabalho dos catadores de materiais recicláveis nos índices de reciclagem, nesta edição trabalhamos o conceito de reciclagem bio-energética, visibilizando, à luz da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), a reciclagem de resíduos e sua transformação em novos insumos, como energia, combustível e composto.
Contudo, as sombras do atraso ainda são longas. A persistência de milhares de lixões a céu aberto, a baixa taxa de reciclagem quando comparada ao potencial existente, e a desigualdade regional no acesso a serviços de qualidade continuam a impor custos ambientais, econômicos e, sobretudo, humanos inaceitáveis. Esses custos se traduzem em emissões de gases de efeito estufa, na contaminação de solos e mananciais, e na perpetuação de ciclos de pobreza e exclusão.
O Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil 2025 não se encerra em si mesmo. Seu objetivo maior é fomentar o debate qualificado e subsidiar a ação. Que este documento sirva como um chamado à responsabilidade compartilhada entre poder público, setor privado e cidadãos. Que os dados aqui contidos impulsionem o empenho necessário para que o Brasil possa apresentar ao mundo um modelo consistente e em acelerada evolução de como gerir seus recursos materiais, transformando resíduos em oportunidade, proteção ambiental em desenvolvimento econômico e metas em realizações.
A hora é de ação. E a gestão de resíduos é, inquestionavelmente, um dos palcos principais onde o futuro do clima e da equidade social será decidido.
Boa leitura!
Pedro Maranhão
Presidente da ABREMA
