O POPULAR – 08/06/2024

Uma das grandes preocupações ambientais no aterro de Goiânia é justamente o chorume, que não é totalmente tratado no local. Justamente por ser muito tóxico, teme-se por sua interação com o solo, de modo que atinja o lençol freático. Pela estrutura atual do espaço, o chorume produzido vai para lagoas de decantação, no que se chama de pré-tratamento. Sua decomposição total, porém, só ocorre misturado ao esgoto comum, ao ser enviado para a Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) de Goiânia, sob responsabilidade da Saneago.

O diretor-técnico da Abrema, Carlos Rossin, diz que fora das condições ideais de um aterro sanitário não há controle de fato sobre o chorume produzido. Embora um aterro como o de Goiânia não possa ser chama do de lixão puro e simples, sem licença ambiental não há como ter controle de que siga todas as recomendações necessárias. “De qualquer maneira, há um manejo dentro de certos padrões, o que ainda evita muita coisa, mas não é exatamente à recomendado”, avalia Rossin.

Ele diz que o conceito sobre resíduos sólidos vem evoluindo com o tempo, bem como as técnicas para tratá-lo. “No passado, à gente chamava qualquer lixão de aterro sanitário. Era sinônimo de depósito.” Se o manejo do chorume na capital contamina ou não o solo, hoje, é algo inconclusivo. “Se não há licenciamento ambiental, não há como afirmar que esteja dentro das condições adequadas de proteção. O que se espera da gestão de um aterro é que faça os devidos monitoramentos”. Ao falar em monitoramento, o professor Eraldo Henriques se preocupa não apenas com os gases e líquidos remanescentes, mas literalmente com o todo: o maciço gigante formado pelos resíduos. “É preciso que a empresa responsável faça o monitoramento geotécnico, para controlar os riscos de movimentação do maciço. Se isso for negligenciado, podemos ter acidentes graves tendo os próprios trabalhadores como vítimas”, alerta.

EMPRESAS

Por nota, a Saneago declarou que “somente recebe o lixiviado (chorume) proveniente do aterro municipal da capital, enquanto aguarda que a Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg) realize as adequações necessárias em seu sistema de tratamento, capacitando-se para conduzir o tratamento por conta própria”. Segundo a empresa, o volume do chorume recebido, conforme acordo com a Comurg, corresponde a menos de 0,5% da vazão total. A Comurg também preferiu se comunicar por nota: “A Companhia de Urbanização de Goiânia informa que realiza o monitoramento do percolado gerado no aterro sanitário, o qual passa por um pré-tratamento em lagoas impermeabilizadas. Após essa fase inicial, o efluente é encaminhado para o sistema da Estação de Tratamento da Saneago. Ressalta-se que a operação do aterro sanitário é fiscalizada por diversos órgãos competentes.”

Fonte: O Popular