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Valor Econômico – 16/04/2026
A indústria de biometano no Brasil pode mais que dobrar de tamanho até o fim da década, continuando a expansão iniciada nos últimos anos. Com o impulso das metas de descarbonização e da Lei do Combustível do Futuro, de 2024, que instituiu um programa de estímulo ao setor, o número de plantas em operação saltou de um, em 2020, para 19, em 2026, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). O crescimento deve ganhar escala com outras 45 instalações em construção que, se autorizadas a entrar em funcionamento, elevarão a capacidade diária de produção nacional dos atuais 1,2 milhão de metros cúbicos para 3 milhões de m3.
O biometano é estratégico por reduzir em até 99% as emissões na comparação com combustíveis fósseis. É intercambiável com o gás natural, dada a composição química quase idêntica, e apresenta a mesma eficiência energética. Pode-se, inclusive, injetar ambos os gases na mesma rede de dutos, o que permite o aproveitamento da infraestrutura existente.
A expectativa é que a demanda pelo biocombustível avance. No último 1º de abril, o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) estabeleceu a meta de redução de 0,5% nas emissões para o mercado de gás natural, que deverá ser cumprida por meio do consumo de biometano, a partir deste ano. A lei previa redução de 1%, mas o valor foi revisto com base em balanços recentes de oferta e demanda. A produção de biometano em fevereiro foi de 10,6 milhões de m3 – média de cerca de 380 mil m3 por dia -, de acordo com a ANP, o que indica que a capacidade instalada ainda não é plenamente utilizada.
“A resolução do CNPE deve dar mais impulso à expansão, com investimentos em novas unidades” avalia o diretor-executivo da Associação Brasileira do Biogás e do Biometano (ABiogás), Tiago Santovito, acrescentando que a produção de biometano no país já atraiu aportes de cerca de R$ 3 bilhões. Outra vantagem do biometano é o preço, definido no mercado doméstico e, por isso, menos exposto às variações do câmbio. Segundo Santovito, a crise no Oriente Médio e a volatilidade do petróleo devem aumentar o interesse no biocombustível.
O biometano é considerado um combustível nobre devido ao alto grau de pureza de metano, seu principal componente. A produção começa na decomposição de matéria orgânica, como lixo urbano, resíduos da agricultura e dejetos de animais. A ação de bactérias sobre esses substratos, em ambiente controlado e sem presença de oxigênio, gera o biogás, que, depois de purificado, dá origem ao biometano.
Fonte: Valor Econômico




