Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Valor Econômico – 12/08/2025

Ao adotar as medidas previstas no Plano de Transformação Ecológica (PTE), o Brasil pode conciliar crescimento econômico e geração de empregos com redução de emissões de gases do efeito estufa (GEE), de modo a ficar perto de alcançar a neutralidade das emissões líquidas até 2050. A conclusão faz parte de estudo divulgado nesta terça-feira (12) pelo Ministério da Fazenda e desenvolvido pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) sobre o impacto do PTE na economia e nos objetivos climáticos.

O Plano de Transformação Ecológica reúne uma série de políticas públicas do governo federal para serem implementadas em curto, médio e longo prazos. Essas ações estão previstas em seis grandes eixos e buscam impulsionar o crescimento econômico sustentável do país e alcançar as metas para redução de GEEs estabelecidas pelo Brasil na Conferência do Clima da Organização das Nações Unidas (ONU).

“Enquanto muitos países encaram essa mudança de paradigma econômico como um custo para a sociedade, aqui no Brasil, encaramos como uma oportunidade, que pode trazer ganhos reais de renda, além do impacto ambiental menor”, afirma Rafael Dubeux, secretário-executivo-adjunto do Ministério da Fazenda.

Entre as iniciativas que fazem parte do plano, estão a regulamentação do mercado de carbono, a criação de uma taxonomia sustentável, o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF, na sigla em inglês) e os programas Combustível do Futuro, EcoInvest, Nova Indústria Brasil, Fundo Clima, Hidrogênio de Baixo Carbono, entre outros.

O estudo lançado nesta terça projeta que a implementação dessa e de outras políticas públicas do plano pode aumentar o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em média 0,8 ponto percentual (p.p.) ao ano até 2035 e em 0,15 p.p até 2050, considerando o cenário macroeconômico otimista.

No curto prazo (2025-2030), o crescimento médio do PIB aumenta de 2,38% (cenário-base intermediário) para até 3,02% com o programa implementado. No médio prazo (2025-2040), o crescimento médio vai de 2,10% (base) para até 2,38%. Já no longo prazo (2025-2050), sobe de 2,05% para até 2,21%.

Ainda de acordo com o estudo, os efeitos positivos do PTE sobre a economia são maiores nos 10 a 15 anos iniciais de implementação do programa, período em que se observa um pico nos ganhos de produtividade, investimento e redução de emissões, se o plano for implementado.

Outra conclusão do estudo é que, no cenário mais otimista (implementação do plano e taxa de crescimento de 2,5% da economia), o programa pode elevar a renda per capita da população em aproximadamente 4 pontos percentuais até 2050, com pico de até 6 pontos percentuais em 2035.

Em relação ao mercado de trabalho, o estudo aponta que, em média, a implementação completa do PTE leva a um acréscimo de 2 milhões de empregos na economia em qualquer cenário macro. O modelo também aponta que a maioria dos empregos gerados pelo PTE ocorre nos primeiros anos após a implementação das ações.

Por setor, o estudo mostra que o emprego pode aumentar em todos os segmentos da economia, exceto nos cenários macroeconômicos pessimistas. “Dessa forma, o modelo mostra que tornar a economia brasileira mais verde não implica em perda de empregos em setores importantes para a economia”, diz o estudo.

O documento aponta, ainda, uma tendência a declínio da desigualdade de renda em todos os cenários de implementação do PTE, considerando o Índice de Palma (medida de desigualdade adotada para o modelo). De acordo com o modelo, o PTE não aumenta a desigualdade de renda em nenhum cenário.

As políticas do Plano de Transformação Ecológica também podem reduzir as emissões de GEE para quase zero até 2050. O cenário contempla a adoção completa do plano. Ainda nesse cenário, o desmatamento é eliminado e o setor agropecuário passa a atuar como removedor líquido de dióxido de carbono (CO2), compensando as emissões remanescentes da indústria, eletricidade e outros setores.

O documento alerta que, em um contexto de alto crescimento econômico, a demanda crescente pode exercer uma pressão significativa sobre a disponibilidade de terras e representar um risco de aumento do desmatamento. “Para mitigar esses riscos, será fundamental aliar as políticas do plano com a promoção de ganhos de produtividade da terra, para atender à demanda sem comprometer os limites ambientais”, diz o estudo.

O estudo foi desenvolvido pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) e pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em parceira com o Ministério da Fazenda.

Fonte: Valor Econômico

https://valor.globo.com/brasil/noticia/2025/08/12/plano-de-transformao-ecolgica-pode-impulsionar-pib-e-gerao-de-empregos-diz-estudo.ghtml